Em meio a tensão com o vice-governador, chefe do Executivo nomeia Lauro Fernandes da Silva Júnior, como novo titular da pasta de Desenvolvimento Econômico.
O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), cumpriu na noite desta segunda-feira (7) a promessa feita ao vivo à Rema TV: exonerar o vice-governador Sérgio Gonçalves da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SEDEC). A edição extra do Diário Oficial também trouxe a nomeação do novo titular da pasta: Lauro Fernandes da Silva Júnior, até então Diretor Técnico e Operacional da Caerd.
Essa medida acontece num momento crítico da gestão de Rocha, em que divergências internas se intensificaram durante sua viagem oficial a Israel. Governador havia acusado o vice, durante a inauguração de ampla reforma hospitalar em Guajará-Mirim, de tentar “tomar” o comando do governo enquanto ele estava retido no exterior.
Rocha afirmou que, durante sua ausência, Sérgio teria buscado apoio de deputados estaduais para obstruir uma Emenda Constitucional que permitiria ao chefe do Executivo atuar à distância: assinando atos e decretos mesmo fora do país. Segundo o governador, os parlamentares reagiram contra e reafirmaram sua lealdade ao mandato de Rocha.
Fontes do Palácio Rio Madeira confirmam que a exoneração de Gonçalves faz parte de um movimento estratégico para consolidar o poder do governador, limitando o vice apenas ao gabinete no Palácio Rio Madeira. Paralelamente, foram indicadas mudanças em cerca de 170 cargos comissionados ligados ao vice para esvaziar sua base de apoio.
Quem é o novo secretário?
Lauro Fernandes vinha liderando esforços para ampliar o saneamento em Rondônia à frente da Caerd. Ele defende um modelo híbrido de gestão com participação privada na distribuição de água, e tem atuado na regionalização e ampliação da capacidade da rede, incluindo investimento de R$ 240 milhões em Porto Velho, financiados pelo PAC.
A nomeação é vista como símbolo de continuidade da estratégia de Rocha: substituir aliados do vice por pessoas técnicas, com histórico de projetos executados, minimizando influências políticas internas.
Mesmo após a exoneração, Sérgio Gonçalves seguirá com estrutura reduzida para manter algumas funções no gabinete de vice-governadoria.
A crise política ganhou destaque desde a viagem de Rocha a Israel. Retido em Tel Aviv em meio a ataques do Irã, o governador relatou à CNN a tensão vivida nos bunkers e ouviu críticas de aliados ao vice pela falta de solidariedade.
Às vésperas de retornar ao Brasil (foi resgatado via Jordânia em 18 de junho), Rocha antecipava mudanças internas. Agora, com a exoneração da SEDEC e nomeação técnica, o governo sinaliza a guinada no controle político e a reestruturação para a reta final do mandato.
Resumo dos impactos:
- Redução de poder do vice-governador, agora restrito ao gabinete.
- Reforço de autoridade de Rocha, com apoio legislativo para atuar remotamente (Emenda Constitucional nº 174/2025).
- Aposta em perfil técnico, com substituição por gestor ligado a projetos de saneamento.
- Tensão política institucional, cenário que avança para uma fase de consolidação da base de governo.
Esse contexto torna a mudança na SEDEC bem mais do que uma simples troca de secretariado: revela uma reestruturação política estratégica que define os rumos do governo nos meses finais.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: REMA TV