Presidente da Câmara mantém controle sobre votações em meio a pressão da oposição e negociações nos bastidores.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o foro privilegiado voltou a ser alvo de disputas políticas, mas, desta vez, não avançou. Após reunião de líderes, a medida foi retirada da pauta da Câmara dos Deputados, numa decisão que reforça o estilo de condução do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A oposição vem adotando uma estratégia de obstrução tanto no plenário quanto nas comissões, exigindo que o tema seja votado. A pressão é grande, já que a PEC desperta interesse que atravessa partidos, incluindo parlamentares do centro político. Ainda assim, Motta opta por seguir sua própria agenda, sem ceder ao jogo das pressões: um distanciamento que ficou mais evidente após os recentes episódios de ocupação do plenário.
Diferente de protestos anteriores, a obstrução atual é silenciosa e totalmente amparada pelo regimento interno. E não é só o fim do foro privilegiado que está em disputa: a chamada “PEC da blindagem”, que prevê a necessidade de autorização das mesas diretoras da Câmara e do Senado para operações contra parlamentares, também está no radar, mas sem espaço garantido na pauta.
Enquanto resiste a avanços forçados, Motta mostra agilidade quando se trata de temas urgentes. Foi o caso da repercussão das denúncias feitas pelo influenciador Felca, que motivou a análise acelerada de um projeto de lei sobre proteção de menores na internet, já aprovado no Senado.
Texto: Daniela Castelo Branco
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