Plano inclui suspensão temporária de FGTS e previdência, além de mecanismos emergenciais para proteger trabalhadores e empresas afetadas pelas tarifas dos EUA.
O fantasma do desemprego voltou a rondar o Brasil depois do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Para evitar que milhares de famílias sejam impactadas por cortes de postos de trabalho, o governo federal estuda medidas emergenciais voltadas à preservação de empregos: um esforço que busca repetir, em parte, a estratégia usada durante a pandemia.
Alívio no caixa das empresas
Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, adiantou que a equipe econômica avalia a suspensão temporária do recolhimento do FGTS e da previdência, como forma de dar fôlego imediato às empresas mais atingidas.
Segundo ele, também está na mesa a possibilidade de redução da jornada de trabalho ou aplicação do lay-off, mecanismos já utilizados em momentos de crise para evitar demissões em massa. “Tem um monte de equações que o acordo coletivo pode administrar temporariamente durante essa transição para que a empresa encontre um novo comprador”, explicou Marinho.
Algumas exportadoras, já sentindo os efeitos do tarifaço, começaram a recorrer a férias coletivas para reorganizar sua produção e tentar ganhar tempo.
Plano Brasil Soberano
Na semana passada, o governo anunciou o Plano Brasil Soberano, que reúne um conjunto de medidas para amparar os setores prejudicados pelas tarifas norte-americanas. Entre as ações, está a criação da Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, que terá a missão de monitorar o impacto das tarifas sobre o mercado de trabalho e propor alternativas para frear a onda de demissões.
Essa nova estrutura vai fiscalizar o cumprimento de obrigações trabalhistas, acompanhar negociações coletivas, propor compensações e, quando necessário, aplicar mecanismos emergenciais como suspensão temporária de contratos.
O desafio de proteger trabalhadores e empresas
O impacto das tarifas vai além das grandes exportadoras: atinge cadeias produtivas inteiras, com efeito cascata sobre fornecedores e prestadores de serviços. O desafio do governo é garantir que os ajustes necessários para manter empresas vivas não se transformem em tragédias pessoais para milhares de trabalhadores.
Ao mesmo tempo, a atuação do Estado será observada de perto: se conseguir preservar empregos, o Brasil pode atravessar essa turbulência com menos cicatrizes sociais; se falhar, o tarifaço norte-americano poderá marcar uma das crises mais duras do mercado de trabalho dos últimos anos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil