Levantamento da Quaest mostra que 46% apoiam a saída do ministro, enquanto 43% são contra; processo depende do Senado e enfrenta barreiras políticas.
O nome de Alexandre de Moraes, ministro do STF, voltou ao centro do debate político; desta vez, pela possibilidade de um impeachment. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (25), 46% dos brasileiros dizem apoiar a medida, enquanto 43% são contrários. Outros 11% não souberam responder.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O cenário mostra um país dividido, em que o Judiciário se torna alvo de paixões e rejeições, refletindo a polarização que marca a política nacional.
Pressão após prisão de Bolsonaro
A pesquisa surge em meio à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada por Moraes após descumprimento de medidas cautelares. A decisão acendeu novas movimentações da oposição no Congresso, que tenta viabilizar um processo de impeachment contra o ministro. Hoje, mais de 29 pedidos já foram protocolados, mas nenhum avançou até aqui.

Como funciona o processo
Na prática, o Senado é a única Casa com competência para julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade: quando há ameaça à Constituição, à segurança interna ou ao funcionamento dos Poderes. Caso o presidente do Senado aceite um pedido, uma comissão especial é formada para analisar a denúncia.
O parecer inicial precisa ser votado em até dez dias. Se o plenário aprovar por maioria simples (41 votos), o ministro alvo é afastado imediatamente de suas funções. O julgamento final, no entanto, só ocorre se dois terços da Casa (54 senadores) confirmarem a decisão.
Reflexão
O fato de quase metade da população apoiar o afastamento de um ministro do Supremo mostra o tamanho da crise de confiança entre instituições e sociedade. Mais do que números, a pesquisa revela um país em que o Judiciário, antes visto como distante das disputas do dia a dia, agora é percebido como ator central da política. No fim, fica a pergunta: esse embate fortalece a democracia ou aprofunda as divisões que já nos marcam?
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles