Primeira Turma do STF inicia análise do núcleo central da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado em 2022.
Na próxima terça-feira (2), todos os olhos do país estarão voltados para a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Ali, começa a ser escrito mais um capítulo da história recente do Brasil: o julgamento de Jair Bolsonaro e de outros sete acusados de integrar o chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado em 2022. A decisão desses ministros não será apenas sobre culpados ou inocentes, mas sobre a própria resistência das instituições democráticas diante de uma das maiores crises políticas da nossa geração.
O colegiado que terá em mãos esse julgamento é composto por quatro ministros de perfis distintos, mas com trajetórias marcantes no mundo jurídico e político.
Alexandre de Moraes é hoje o rosto mais conhecido dessa investigação. Paulista, formado e doutor em Direito pela USP, já foi promotor, secretário de Justiça e Segurança Pública de São Paulo, ministro da Justiça e da Segurança Pública e chegou ao STF em 2017, indicado por Michel Temer.
Cármen Lúcia, mineira de Montes Claros, é uma das vozes mais firmes da Corte. Formada pela PUC-MG e mestre pela UFMG, construiu carreira como procuradora do Estado e professora universitária. Foi nomeada ao Supremo em 2006 pelo então presidente Lula.
Flávio Dino, o mais recente a integrar o colegiado, traz a experiência de quem já foi juiz federal, deputado, senador, governador e ministro da Justiça. Maranhense de São Luís, formado pela UFMA e mestre pela UFPE, foi indicado ao STF em 2024, também pelo presidente Lula.
Luiz Fux, carioca, é outro nome de peso da turma. Graduado em Direito pela UERJ, passou por diferentes funções: advogado, promotor, juiz e desembargador — até chegar ao Supremo em 2011, indicado pela presidente Dilma Rousseff.
O julgamento deste núcleo será, em essência, um retrato de como o STF encara as ameaças à democracia. O que está em jogo não é apenas a responsabilidade de oito réus, mas o recado que a Justiça brasileira dará ao país e ao mundo.
No fim das contas, quando as togas se encontrarem com a História, o Brasil será chamado a refletir: não se trata apenas de punir culpados, mas de reafirmar o valor da democracia que tantos lutaram para conquistar. A decisão desses ministros será lembrada por gerações como um marco; seja pelo peso de sua coragem, seja pelas consequências de sua escolha.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Congresso em Foco