Ministro da Fazenda afirma que impacto existe, mas país está preparado e negociações com Washington seguem ativas.
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos já provoca apreensão no Brasil, mas, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o país tem como enfrentar o choque. Em entrevista exclusiva ao UOL nesta quarta-feira (27), Haddad admitiu que setores específicos sentirão a pressão: “Vai machucar um pouco. Porque há empresas que exportam mais de 50% da sua produção para lá. Mas, de uma maneira geral, macroeconomicamente falando, acredito que o Brasil está em condições de enfrentar.”
Setores mais expostos e efeito do tarifaço
O ministro explicou que segmentos como carne e café, fortemente exportadores para os EUA, são os mais atingidos. Contudo, Haddad ponderou que os norte-americanos dependem de commodities baratas, e que, mesmo com as tarifas, a procura pela produção brasileira segue firme. “Soube ontem pelo ministro da Agricultura, Fávaro, que as exportações de carne depois do tarifaço aumentaram. Ou seja, o povo americano está pagando mais caro a carne, porque querem comprar a carne brasileira.”
Postura proativa e reativa do governo
Haddad destacou que o Brasil mantém uma atuação dupla: por um lado, procura abrir canais e negociar diretamente com Washington; por outro, adota medidas reativas para lidar com decisões inesperadas do governo americano. “Nem os secretários sabiam da tarifa extra que ele impôs ao Brasil. E quem disse que sabe, está mal informado. Nós vamos cuidar, só não dá para prever o que pode sair da cabeça do Trump”, afirmou.
Negociação comercial e defesa dos interesses
O ministro esclareceu que toda a mobilização brasileira ocorre no campo comercial, contestando os argumentos apresentados pelos EUA para justificar o tarifaço. “Como é que um país que tem déficit com os Estados Unidos há 15 anos, mais de 400 bilhões acumulados de dólares, pode ser sobretaxado por razões estranhas?”, questionou Haddad.
Sobre a contratação de escritório de advocacia nos EUA, o ministro disse que a medida visa proteger os interesses comerciais do país, algo que muitas empresas exportadoras brasileiras também fazem de forma independente.
Apesar do choque inicial, Haddad enfatiza que o Brasil tem solidez econômica e capacidade de negociação para enfrentar o tarifaço. A lição que fica, segundo ele, é que a adaptabilidade e a estratégia comercial são essenciais para atravessar crises globais, mantendo a confiança e competitividade do país no mercado internacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBN
Reportagem: Uol Notícias