Medida autoriza Receita Federal a postergar cobrança de tributos e preservar empregos afetados pelo aumento de tarifas.
O aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros imposto pelos Estados Unidos começou a deixar marcas profundas em empresas nacionais, e o governo federal decidiu agir.A iniciativa busca evitar que o chamado “tarifaço” prejudique ainda mais a economia e ameace empregos. Agora, a Receita Federal poderá postergar a cobrança de tributos federais para as companhias mais afetadas, oferecendo um fôlego para reorganização financeira.
Um impacto que pode ser sentido no bolso e no emprego
Segundo a analista de economia Débora Oliveira, em entrevista no Live CNN, “é uma medida que ajuda a aliviar a pressão sobre as empresas, permitindo que elas ajustem suas operações e preservem empregos, sem entrar em colapso imediato diante da alta inesperada das tarifas”.
Tributos e prazos flexibilizados
A portaria divulgada pelo governo detalha que os pagamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além de contribuições para PIS, PASEP e COFINS poderão ser adiados por dois meses inicialmente.
As empresas elegíveis precisam comprovar histórico de exportações e demonstrar o impacto real das tarifas em suas operações. Em troca, devem se comprometer a manter os postos de trabalho, garantindo que a medida também proteja trabalhadores brasileiros.
Mais do que um alívio fiscal: estratégias de mercado
Além do adiamento de tributos, o plano inclui ampliação de prazos para operações de drawback, beneficiando empresas que importam produtos para finalizar a produção e depois exportar. A ideia é reduzir custos e evitar que barreiras comerciais estrangeiras paralisem a cadeia produtiva.
Paralelamente, o governo busca alternativas em outros mercados internacionais, para que produtos brasileiros continuem sendo vendidos sem grandes perdas. Mais de 60% das exportações afetadas seguem disponíveis, e as empresas trabalham para se adaptar à nova realidade.
Reflexão final
O “tarifaço” expõe a vulnerabilidade de empresas e trabalhadores diante de decisões externas, mas também evidencia a importância de políticas públicas ágeis e pensadas para proteger a economia nacional. A medida de contingência, embora temporária, reforça que o país pode reagir e criar estratégias para enfrentar crises, mantendo empregos e garantindo que o Brasil continue competitivo no comércio internacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação