Home / Politica / Bolsonaro na capa da The Economist: Brasil como exemplo de democracia em meio a tensões com os EUA

Bolsonaro na capa da The Economist: Brasil como exemplo de democracia em meio a tensões com os EUA

Julgamento do ex-presidente pelo STF atrai atenção internacional e reacende debate sobre populismo e soberania.

A capa da revista britânica The Economist desta semana chamou atenção do mundo: o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece com o rosto pintado nas cores da bandeira brasileira e usando um chapéu que remete ao “viking do Capitólio”, símbolo da invasão ao Congresso americano em 2021. A imagem dramática reflete o momento delicado do país, prestes a julgar um ex-presidente acusado de tentar subverter a democracia.

Contexto do julgamento e narrativa internacional


O julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para 2 de setembro, é acompanhado de perto pelo mundo. Réu por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022, ele enfrenta acusações graves, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano qualificado ao patrimônio público. As penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

A revista britânica descreve o Brasil como uma lição de democracia em um continente marcado por crescentes traços de corrupção, protecionismo e autoritarismo. Segundo a publicação, o país se destaca por manter instituições sólidas e proteger a democracia, mesmo diante de pressões externas e desafios internos.

Tensões com os Estados Unidos e apoio de Trump


A The Economist também aborda a interferência do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que em julho aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, alegando perseguição política contra Bolsonaro. A revista critica essas ações como uma volta a “uma era sombria” de desestabilização de países latino-americanos, mas ressalta que elas podem ser contraproducentes para os EUA, dado que apenas 13% das exportações brasileiras vão para o país.

O presidente Lula respondeu reforçando a soberania nacional: “O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de Estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”.

STF e a memória da ditadura


O papel do STF é destacado como central para a defesa da democracia brasileira. A memória da ditadura militar (1964-1985) teria moldado a Corte a agir como um baluarte contra o autoritarismo. O ministro Alexandre de Moraes, alvo de ataques de Trump e aliados de Bolsonaro, é apontado como figura-chave do processo, tendo determinado a prisão domiciliar do ex-presidente em 4 de agosto por descumprimento de medidas cautelares.

A revista enfatiza que, ao contrário do que ocorreu nos EUA com Trump, o Brasil mostra maturidade política ao enfrentar o populismo, com políticos de diversos partidos comprometidos em seguir as regras e promover reformas.

Repercussão internacional e desafios futuros


O julgamento de Bolsonaro é acompanhado pela imprensa global. O New York Times chamou o caso de “um esforço significativo para responsabilizar Bolsonaro pelas acusações de tentativa de desmantelar a democracia”, enquanto o Guardian alerta que ele pode enfrentar até 43 anos de prisão. Para a imprensa brasileira, o país se torna exemplo de resistência à “febre populista”.

No entanto, a polarização política e as tensões com os EUA seguem como desafios, especialmente diante das eleições de 2026 e da base radical que ainda apoia Bolsonaro. A reação da sociedade e das instituições será determinante para o desfecho da crise.

Um teste para a democracia


O julgamento representa mais do que um caso judicial: é um teste para a democracia brasileira. Em meio a pressões internas e externas, o Brasil mostra que, mesmo em tempos de populismo e turbulência política, é possível proteger instituições, valorizar a Constituição e lembrar que a democracia exige vigilância constante. O mundo observa, mas a decisão final será do país, e dela dependerá o fortalecimento de sua própria maturidade política.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/The Economist

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *