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PF afirma que operação contra PCC não contamina sistema financeiro

Megaoperação revela complexa teia de fraudes em combustíveis e lavagem de dinheiro, sem afetar a credibilidade de Faria Lima.

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (28) uma operação de grande escala para desarticular esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas garantiu que o sistema financeiro brasileiro não foi comprometido. “Não há nenhuma contaminação no sistema financeiro. Não há nenhum problema com o sistema financeiro ou com a Faria Lima”, afirmou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista exclusiva à CNN.

Operação Quasar mira fundos de investimento e lavagem de dinheiro


A Operação Quasar identificou o uso indevido de fundos de investimento como “bancos paralelos” para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação direta com organizações criminosas. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, com sequestro de ativos e bloqueio de bens que somam cerca de R$ 1,2 bilhão.

Segundo a investigação, o PCC geria pelo menos 40 fundos com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, oriundos de fraudes no mercado de combustíveis. Entre os bens adquiridos com esses recursos estão 1.600 caminhões, quatro usinas de álcool, um terminal portuário, mais de 100 imóveis, seis fazendas no interior de São Paulo e uma casa de R$ 13 milhões em Trancoso, na Bahia. Uma fintech, utilizada como banco paralelo, movimentou sozinha mais de R$ 46 bilhões.

Operação Carbono Oculto revela fraude em combustíveis


Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Carbono Oculto, focada em postos de combustíveis e distribuidores ligados ao PCC. O esquema, que envolveu cerca de 1.000 estabelecimentos, movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com sonegação de impostos estimada em R$ 7,6 bilhões. Parte do combustível vendido era adulterada, prejudicando veículos, consumidores e toda a cadeia econômica.

O crime organizado se infiltrou na economia formal, utilizando importadoras e empresas de fachada para desviar e comercializar metanol e combustíveis, configurando fraude fiscal e adulteração de produtos. A operação cumpriu 350 mandados em oito estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, envolvendo prisões, bloqueios de bens e afastamento de sigilos bancários e fiscais.

Impactos para a economia e a sociedade


Além do prejuízo fiscal, a operação evidencia o impacto direto sobre os consumidores, que pagaram por produtos de qualidade inferior e contribuíram indiretamente para a evasão de tributos. A investigação também revelou a estrutura sofisticada do PCC, que absorveu distribuidoras, transportadoras e postos em seu esquema criminoso.

Um alerta sobre a complexidade do crime organizado


As operações desta quinta-feira mostram como o crime organizado pode se infiltrar em setores estratégicos da economia, utilizando recursos financeiros complexos e explorando brechas legais. Ao mesmo tempo, reforçam a importância da ação integrada entre Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público para proteger a sociedade, a economia e o sistema financeiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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