Ex-presidente está em prisão domiciliar com acompanhamento constante, mas sem perturbar vizinhos ou rotina do condomínio.
Desde a noite de terça-feira (26), policiais penais do Distrito Federal iniciaram o monitoramento velado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua residência no Jardim Botânico, em Brasília. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e busca garantir monitoramento ininterrupto sem gerar exposição ou transtornos à vizinhança.
Inicialmente, uma viatura descaracterizada foi posicionada em frente ao condomínio de forma improvisada. Já na manhã seguinte, duas viaturas passaram a compor o esquema de vigilância, sem logotipos ou símbolos da polícia. Policiais penais se revezam continuamente, com ponto de apoio dentro do condomínio para descanso, alimentação e higiene, tudo sem uniformes visíveis.
Além da presença física, os agentes acompanham em tempo real a tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro, comunicando imediatamente qualquer intercorrência. A escala de horários e revezamento dos policiais é mantida sob sigilo por motivos de segurança.
Determinação judicial
O monitoramento atende à decisão do STF e deve:
- ocorrer em tempo real;
- evitar exposição indevida;
- abster-se de qualquer indiscrição midiática;
- não adotar medidas intrusivas na esfera domiciliar do ex-presidente;
- usar ou não uniformes e armamentos, a critério da polícia.
O reforço do policiamento foi solicitado pela PF, que apontou risco concreto de tentativa de fuga de Bolsonaro, incluindo a possibilidade de ele tentar buscar asilo na Embaixada dos Estados Unidos.
Em paralelo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou nas redes sociais uma mensagem de desabafo, relatando dificuldades e humilhações enfrentadas: “O desafio tem sido enorme: resistir à perseguição, lidar com as incertezas e suportar as humilhações. Mas não tem nada, não. Nós vamos vencer. Deus é bom o tempo todo”.
O esquema mostra que a vigilância busca equilibrar segurança, discreção e respeito à rotina, transformando-se em um monitoramento constante, mas praticamente invisível aos olhos da vizinhança e da imprensa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/BBC