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Após ameaças de Trump, Lula reforça apoio à soberania do Canal do Panamá

Em encontro com o presidente panamenho, Brasil se une a protocolo internacional pela neutralidade da hidrovia.

Em meio às recentes declarações de Donald Trump sobre retomar o controle do Canal do Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez questão de reforçar, nesta quinta-feira (28), o apoio brasileiro à soberania panamenha sobre a hidrovia. O gesto ocorreu durante a visita oficial do presidente José Raúl Mulino a Brasília.

“O Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá, o canal conquistado após décadas de luta. Há mais de 25 anos, o país administra o corredor marítimo com eficiência e respeito, garantindo o trânsito neutro e seguro a navios de todas as origens”, afirmou Lula.

Acordos de cooperação
Durante o encontro, foi assinado um memorando de entendimento entre o Ministério dos Portos e Aeroportos do Brasil e a Autoridade do Canal do Panamá, ampliando a cooperação bilateral. Além disso, Lula anunciou a adesão do Brasil ao protocolo do Tratado Relativo à Neutralidade Permanente e ao Funcionamento do Canal do Panamá, já subscrito por mais de 40 países.

A disputa com os EUA
O canal, vital para o comércio internacional, foi inaugurado em 1914 e permaneceu sob domínio dos Estados Unidos até o acordo de 1977, que estabeleceu a transferência gradual ao Panamá: concluída em 1999. Trump, em declarações recentes, acusou o país centro-americano de impor “tarifas exorbitantes” aos EUA e defendeu que Washington deveria retomar o controle da hidrovia.

Mais que diplomacia
Ao se alinhar publicamente ao Panamá, Lula não apenas reforça a soberania de um vizinho estratégico, mas também envia um recado político em um momento de tensões globais: para o Brasil, a neutralidade e a gestão multilateral do canal não estão em negociação. É um gesto que vai além da diplomacia e toca no cerne da luta dos povos latino-americanos por autonomia diante das pressões externas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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