Publicações de Carlos e Eduardo Bolsonaro revelam insatisfação com aliados e evidenciam divisão da direita a pouco mais de um ano das eleições de 2026.
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro reacendeu tensões dentro da direita brasileira. Enquanto o ex-presidente cumpre pena determinada pelo STF, seus filhos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, usaram as redes sociais para criticar duramente governadores aliados, reforçando uma sensação de fragmentação no campo conservador. A mensagem, carregada de indignação, descreve políticos como “ratos” que se calam diante das adversidades, acusando-os de priorizar o poder em detrimento do povo.
Carlos Bolsonaro (PL-RJ) publicou no X que, enquanto líderes conservadores se mantêm discretos, inúmeros “presos políticos” sofrem e a ala radical do bolsonarismo segue sem representação efetiva. Segundo ele, os governadores limitam-se a gritar “fora PT”, mas não lideram nem representam o sentimento popular, apenas tentam herdar o legado do pai de forma “vergonhosa e patética”. A postagem foi compartilhada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), reforçando a mensagem da família.
O momento coincide com movimentos de pré-candidatura de alguns governadores, como Romeu Zema (Novo), em Minas Gerais, e evidencia divergências sobre a estratégia eleitoral de 2026. Analistas políticos, como Clarissa Oliveira, avaliam que essas declarações reforçam a divisão interna da direita, que agora se vê entre moderados com ambições próprias e a ala radical bolsonarista, que busca manter influência direta sobre o eleitorado do ex-presidente.
Em paralelo, o julgamento de Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro, mantém a tensão política em alta. Enquanto a Primeira Turma do STF se prepara para analisar a suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, aliados e críticos aguardam desdobramentos que poderão influenciar fortemente o cenário político e eleitoral do país.
A sequência de ataques e críticas públicas demonstra que o bolsonarismo, embora unido em torno do ex-presidente, enfrenta desafios internos que podem redefinir alianças e estratégias para as eleições do próximo ano.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação