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Com vaquinha em queda e réu por golpe, Bolsonaro volta a pedir PIX, de acordo com ex-ministro, enquanto STF ouve testemunhas

Ex-presidente já gastou R$ 8 milhões de R$ 17 milhões arrecadados e tenta adiar julgamento no STF, que apura tentativa de golpe de Estado.

Em suas redes sociais, o ex-ministro do Turismo e Cultura, Gilson Machado Neto (PL), que atuou durante o mandato do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), publicou dois vídeos afirmando que Bolsonaro já havia gastado metade de 17 milhões de reais arrecadados em vaquinha.Segundo Machado, cerca de R$ 8 milhões foram usados em apenas um ano, principalmente para cobrir despesas com passagens, advogados e gastos hospitalares.

Parte do dinheiro também estaria sendo destinada ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, que se mudou para os Estados Unidos após ter o passaporte retido por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Aumentou a despesa dele [Bolsonaro], principalmente porque ele está tendo Eduardo Bolsonaro lá nos EUA, que ele está ajudando também, que não é barato morar nos EUA”, disse Machado.

Ao justificar os pedidos de doação, o ex-ministro comparou a situação ao escândalo de fraudes no INSS, que movimentou cerca de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. “A nossa índole é pedir, e jamais colocar a mão no dinheiro dos aposentados, no dinheiro brasileiro, como a esquerda fez agora”, disparou.

Em ambos os vídeos, Machado divulgou a chave PIX de Bolsonaro, reforçando o apelo por mais contribuições de apoiadores.

STF começa a ouvir testemunhas sobre tentativa de golpe

Enquanto Bolsonaro busca apoio financeiro, o STF deu início nesta segunda-feira (19) à oitiva das testemunhas no processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente é réu na ação, acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de liderar um plano com objetivo de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito.

A primeira fase dos depoimentos inclui o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, que teria sido pressionado para aderir ao plano golpista e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). No total, 82 testemunhas devem ser ouvidas até o dia 2 de junho, em audiências conduzidas por videoconferência com a presença de juízes auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, além das defesas e da PGR.

Após a fase de testemunhas, o ministro deverá agendar os interrogatórios dos réus. A Primeira Turma do STF será responsável pela decisão final sobre o caso.

Entre os crimes imputados a Bolsonaro estão organização criminosa armada, tentativa de golpe, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A PGR afirma que o ex-presidente tinha pleno conhecimento do plano chamado “Punhal Verde Amarelo”, que previa até o assassinato de autoridades como o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Também teria ciência da chamada “minuta do golpe”, documento que planejava decretar Estado de Sítio no país.

Defesa tenta adiar julgamento alegando dificuldade técnica

A defesa de Bolsonaro tentou adiar os depoimentos, argumentando que não teve tempo suficiente para acessar os 40 terabytes de provas disponibilizados pela Polícia Federal. De acordo com os advogados, o download do material, mesmo com internet de alta velocidade, exigiria ao menos 178 horas ininterruptas: mais de uma semana de trabalho.

Apesar disso, Moraes reforçou que as autoridades arroladas como testemunhas não podem “adiar indefinidamente” suas oitivas. Deputados, senadores e governadores continuam com prerrogativa de sugerir datas e horários, desde que dentro do prazo estabelecido, entre 19 de maio e 2 de junho.

Por: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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