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Deputados do PL negam envolvimento em esquema de propina e citam falta de provas

Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa se defendem no STF em meio a acusações de corrupção e organização criminosa.

No Supremo Tribunal Federal, os deputados Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) afirmaram nesta quinta-feira (28) não ter qualquer participação no suposto esquema de cobrança de propina sobre emendas parlamentares. Ambos alegaram ser vítimas de acusações baseadas em provas frágeis, enquanto Josimar Maranhãozinho (PL-MA), apontado como líder do grupo, optou pelo direito ao silêncio.

Detalhes do interrogatório e depoimentos
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, os parlamentares teriam exigido R$ 1,66 milhão do então prefeito de São José do Ribamar (MA) para liberar uma emenda de quase R$ 7 milhões. Pastor Gil negou as acusações, afirmando que conheceu Josimar apenas ao ingressar no PL e que buscava orientação sobre procedimentos parlamentares, mas nunca recebeu ordens para destinar emendas ao município. Ele também comentou sobre um empréstimo de R$ 200 mil recebido de Maranhãozinho, afirmando que serviu apenas para cobrir despesas pessoais e não tem relação com emendas.

Bosco Costa, por sua vez, disse nunca ter solicitado “um real de propina” e negou conhecer o prefeito Eudes Sampaio, autor da denúncia, ou o agiota apontado como intermediário do esquema. Maranhãozinho permaneceu em silêncio, declarando que aguardará mais esclarecimentos antes de prestar depoimento.

Defesas e argumentos legais
Os advogados dos deputados tentaram adiar os interrogatórios, alegando falta de acesso integral às provas e apontando que a denúncia se baseou principalmente em mensagens de celular apreendidas pela Polícia Federal. As defesas também argumentaram que o processo é “inepto”, pois não detalha de forma clara a participação individual de cada deputado nas supostas fraudes.

Histórico das investigações
O caso começou em 2020, quando o então prefeito denunciou ter sido pressionado a pagar 25% das emendas destinadas à saúde. Segundo a PF, o esquema se repetiu por pelo menos cinco anos, com prefeitos ameaçados de morte caso não aceitassem pagar a propina. Interceptações telefônicas e áudios indicam conversas sobre a divisão de valores, incluindo ameaças graves. Em março deste ano, a Primeira Turma do STF aceitou, por unanimidade, a denúncia da PGR, transformando os três deputados em réus.

Reflexão sobre a política e a confiança pública
O interrogatório desta quinta no STF revela mais do que um conflito jurídico: expõe a fragilidade da confiança entre eleitos e cidadãos, e levanta questionamentos sobre ética, transparência e responsabilidade no exercício do mandato. Enquanto o processo segue, a sociedade acompanha atenta, esperando respostas que reforcem ou restaurem a credibilidade das instituições democráticas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/STF

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