Recompensa milionária, mobilização militar e acusações de narcotráfico reacendem o confronto diplomático e militar entre Trump e Maduro.
Quando o mundo ainda tenta respirar entre conflitos e crises, uma nova tensão volta a pulsar forte na América Latina. A relação entre Estados Unidos e Venezuela, já fragilizada há anos, entrou em ebulição com novas ameaças, movimentações militares e discursos inflamados de ambos os lados. O risco de escalada é real; e todos os olhos agora se voltam para o Caribe.
Na última segunda-feira (18), o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em todo o país, em uma clara resposta às ações recentes do governo Trump. “Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela”, declarou Maduro em tom desafiador, enquanto reforçava o discurso de defesa da soberania nacional.
Do outro lado, os Estados Unidos dobraram a recompensa pela captura de Maduro, elevando-a para US$ 50 milhões. A justificativa? Combater o narcotráfico e prender, segundo palavras do governo americano, “um dos maiores traficantes de drogas do mundo”. A acusação é grave: Washington afirma que Maduro lidera o chamado “Cartel dos Sóis”, grupo acusado de usar o Estado venezuelano para facilitar o tráfico internacional de drogas.
Além da recompensa, o governo Trump autorizou movimentações militares estratégicas. Três navios de guerra e cerca de 4 mil militares norte-americanos estariam a caminho da região, segundo reportagens da agência Reuters. No entanto, o Departamento de Defesa minimizou a informação nesta terça-feira (19), alegando que nenhuma embarcação recebeu ordens para se aproximar das águas venezuelanas, pelo menos por enquanto.
A movimentação dos EUA foi justificada como parte de uma ofensiva contra organizações narcotraficantes, mas na prática acendeu um sinal de alerta sobre uma possível intervenção. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, não negou a possibilidade de ações mais incisivas: “O presidente Trump tem sido claro. Vai usar todas as ferramentas para interromper o fluxo de drogas e levar os responsáveis à justiça”, disse ela.
Enquanto isso, Caracas se fecha. A milícia venezuelana, criada por Hugo Chávez e formalizada em 2010, voltou a ser acionada com força total. Maduro também anunciou que vai ativar milícias camponesas e operárias em fábricas e locais de trabalho, numa tentativa de envolver diretamente a população na defesa do país.
Em nota oficial, o governo venezuelano chamou as acusações americanas de “difamatórias e infundadas”, acusando os EUA de recorrer a “ameaças” para mascarar interesses geopolíticos. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse que o Cartel dos Sóis é uma invenção de Washington. Já o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, rejeitou de forma categórica as alegações.
Sem relações diplomáticas formais desde 2019, EUA e Venezuela vivem mais um capítulo tenso, em meio a uma disputa de narrativas e interesses. O pano de fundo é mais do que político: envolve soberania, tráfico, armamento, petróleo, além de uma população vulnerável no meio de tudo isso.
Resta saber até onde cada lado está disposto a ir. E o que isso pode custar para a região.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/UOl Notícias