Presidente da Câmara diz que deputados não têm “compromisso” com aprovação de MP, e Haddad teme novo revés político
As palavras do novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), caíram como uma ducha fria nos planos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao declarar nesta segunda-feira (9) que o Congresso “não tem compromisso” com a aprovação da medida provisória que substituiria o aumento do IOF, Motta acendeu um sinal de alerta no Ministério da Fazenda e preocupou o próprio Palácio do Planalto.
Segundo fontes próximas ao ministro, Haddad teria ficado decepcionado com a postura do parlamentar paraibano, especialmente após uma reunião realizada na noite de domingo (8), em que havia sido firmado um acordo entre governo e lideranças do Congresso sobre o teor da nova MP.
A medida visa “recalibrar” o decreto que aumentou o IOF, anunciado no mês passado e que causou forte reação negativa de diversos setores da economia. O novo texto, costurado com parlamentares da base, parecia ter sido bem recebido. Mas, nas primeiras horas desta segunda-feira, críticas se multiplicaram; especialmente por parte da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reagiu duramente às propostas.
Nos bastidores, a avaliação é de que a pressão da FPA chegou até Motta e influenciou sua fala pública, sinalizando resistência à aprovação da medida dentro da própria base aliada. Diante disso, Haddad procurou novamente o presidente da Câmara para tentar contornar o desgaste.
O ministro deve levar pessoalmente a Lula, que retorna a Brasília nesta terça-feira (10), um balanço da situação e das dificuldades que a equipe econômica enfrenta para garantir apoio político às medidas fiscais. No momento, a Fazenda tenta manter a âncora fiscal de pé sem aumentar a tensão com o Congresso: tarefa que tem se mostrado cada vez mais complexa.
Texto: Daniela Castelo Branco
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