Apartamento de R$ 22 milhões nos EUA entra no radar em meio à tensão diplomática com Washington.
Era para ser apenas um investimento de estabilidade: um apartamento de frente para o mar nos bastidores das relações entre Brasil e Estados Unidos; mas a compra desse imóvel virou ponto de tensão e incerteza.
Segundo documentos públicos consultados, a aquisição foi feita com pagamento à vista por uma empresa familiar, cujas iniciais formam o nome do ministro Luís Roberto Barroso e de seus familiares, ainda na planta e concluída em 2014, antes dele assumir o cargo no Supremo Tribunal Federal. O imóvel tem 158 metros quadrados, e a taxa de condomínio ultrapassa R$ 15 mil mensais. Por um tempo, era ali que Bernardo Barroso, filho do ministro e executivo do BTG Pactual, costumava ficar.
Por que esse imóvel virou polêmica?
Em meio à escalada das relações diplomáticas entre Brasil e EUA, o governo norte-americano revogou vistos de oito ministros do STF, entre eles Luís Roberto Barroso, abrindo caminho para que propriedades vinculadas a terceiros; mesmo empresas familiares, possam ser bloqueadas via Lei Magnitsky, uma legislação voltada a punir violações de direitos humanos e casos de corrupção internacional.
Embora o imóvel não esteja no nome direto do ministro, especialistas alertam que esse tipo de proteção pode ser alcançado por sanções que alcançam “nomes de fachada” ou entidades ligadas à autoridade investigada.
Até o fechamento desta reportagem, Barroso ainda não havia se manifestado sobre o caso.
Contexto internacional e foco em ativos
O caso não é isolado. Nos EUA, o Departamento de Justiça já confiscou imóveis de luxo em Miami comprados por terceiros em nome de russos sancionados; mesmo quando as pessoas sancionadas não eram os proprietários diretos, demonstrando a aplicação efetiva da Lei Magnitsky.
Isso acentua a preocupação em Brasília de que a propriedade da família Barroso possa se tornar alvo de bloqueios, caso os desdobramentos políticos continuem escalando.
O que está em jogo
Aspecto | Detalhe |
Origem da compra | Empresa familiar (iniciais dos Barroso), imóvel adquirido à vista, em 2014 |
Local | Condomínio Oceana, Miami — 158 m² — condomínio de R$ 15 mil/mês |
Uso recente | Utilizado por Bernardo Barroso, executivo do BTG Pactual |
Risco legal | Potencial bloqueio via Lei Magnitsky, que alcança entidades ligadas |
Contexto diplomático | Sanções e revogação de vistos de ministros do STF pelos EUA |
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Gazeta Brasil