Mauricio Claver-Carone critica ausência do presidente brasileiro na ‘Brazilian Week’ e defende laços comerciais com os EUA
O ex-assessor da Casa Branca é enviado do governo Donald Trump para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, fez críticas diretas à agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre compromissos diplomáticos na China nesta semana. Para ele, há uma “ironia” no fato de Lula estar em Pequim justamente durante a chamada “Brazilian Week” em Nova York, quando executivos e autoridades brasileiras participam de uma série de encontros com investidores americanos.
“A ironia agora é vermos Lula na China quando, francamente, a maioria da sua comunidade de negócios está em Nova York, o maior mercado de capitais do mundo”, afirmou Claver-Carone em entrevista exclusiva à CNN nesta terça-feira (13).
Ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de 1 de outubro de 2020 a 26 de setembro de 2022, Claver- Carone é uma figura influente entre os republicanos que defendem uma maior aproximação entre América Latina e Estados Unidos, e têm resistido ao crescimento da influência chinesa na região.
EUA querem manter protagonismo econômico no Brasil
O enviado de Trump ressaltou que, apesar da crescente presença chinesa em setores estratégicos no Brasil, os Estados Unidos continuam sendo os maiores investidores no país, com capital mais “estável e confiável”.
“Queremos continuar essa cooperação. As empresas americanas seguem como as mais sólidas e constantes parceiras do Brasil”, disse.
O ex-funcionário do governo Trump também mencionou a importância de preservar as cadeias de suprimento Norte-Sul, numa referência à tradicional rota comercial entre América do Norte e América do Sul. Segundo ele, a prioridade deve ser esse eixo, e não o que classificou como um “ziguezaguear do Leste para o Oeste”, em alusão ao giro de Lula pelo Oriente.
As declarações ocorrem num momento delicado da geopolítica: Washington acaba de anunciar uma trégua na guerra comercial com a China, após negociações de alto nível entre autoridades dos dois países em Genebra, na Suíça.
Por: Daniela Castelo Branco
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