Celso Sabino e André Fufuca admitiram que deveriam ter defendido a gestão petista durante evento da União Progressista.
Na política, o silêncio pode falar mais alto que as palavras. E foi justamente esse silêncio que incomodou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento da federação União Progressista, na semana passada. Ali, críticas duras ao governo foram feitas em meio a discursos de governadores de oposição; e os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esportes), presentes ao evento, não reagiram.
Na reunião ministerial desta semana, Lula não escondeu sua insatisfação. Disse ter ficado triste com o episódio e lembrou que, embora entenda a dinâmica eleitoral e os interesses partidários, espera lealdade de quem integra sua equipe. O presidente ainda fez referência a Antonio Rueda, dirigente da federação, afirmando não gostar dele, mas frisando que isso não deveria interferir na relação do governo com o grupo político, que tem cadeiras na Esplanada.
Após o encontro, Sabino e Fufuca procuraram o presidente para reconhecer a falha. Alegaram que não tiveram a palavra durante o evento, já que a organização priorizou os discursos dos governadores, mas admitiram que poderiam, e deveriam, ter se manifestado em defesa do governo. Ambos concordaram com a cobrança de Lula e disseram que erraram ao permanecer em silêncio.
O episódio expõe um ponto sensível para Lula: a necessidade de união e firmeza na defesa de seu governo, especialmente num momento em que a oposição não poupa ataques. Afinal, em política, não basta estar presente; é preciso se posicionar. E, como demonstrou a reação do presidente, lealdade não se mede apenas pela cadeira que se ocupa na Esplanada, mas pela voz que se ergue em defesa de um projeto coletivo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil