Ex-presidente cumpre medida restritiva em Brasília e só pode receber familiares e aliados com autorização do STF.
A cena que se desenha em Brasília mistura silêncio, tensão e expectativa. Dentro de casa, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar pelo segundo dia consecutivo, monitorado e com regras rígidas definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Do lado de fora, familiares, aliados políticos e curiosos aguardam cada novo capítulo dessa história que mistura política, justiça e emoção.
Nesta quarta-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes autorizou que filhos, netos e cunhadas visitem Bolsonaro sem a necessidade de novos pedidos formais. A decisão trouxe algum alívio à família, que até então precisava solicitar autorização individual para cada encontro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que entrou com o pedido para visitar o pai, assim como o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que classificou a visita como “estritamente institucional e humanitária”.
Regras e restrições da prisão domiciliar
Apesar de não estar atrás das grades, Bolsonaro vive sob forte vigilância. Moraes determinou que ele:
- Não use celular nem redes sociais;
- Receba apenas advogados e pessoas autorizadas pela Justiça;
- Informe ao STF os nomes de todos os funcionários que frequentam sua casa;
- Garanta que visitantes respeitem as mesmas restrições; sem fotos, vídeos ou gravações durante os encontros.
O descumprimento dessas regras pode gerar novas medidas judiciais, inclusive para os visitantes.
Na prática, a rotina do ex-presidente é de isolamento quase completo, quebrado apenas por visitas controladas. Na terça-feira (5), Ciro Nogueira (PP-PI) foi o primeiro aliado a encontrá-lo, com autorização formal do Supremo. Após a reunião, declarou que Bolsonaro “não está feliz” com a situação.
Impacto político e repercussão em Brasília
A prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada após o STF alegar descumprimento de medidas cautelares, gerou repercussão imediata no Congresso Nacional. Partidos de oposição iniciaram uma obstrução nas votações da Câmara e do Senado como forma de protesto.
No entanto, os presidentes das Casas Legislativas; Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado, já criticaram a paralisação e prometem reunir líderes para tentar restabelecer a pauta.
A decisão de Moraes tem apoio da maioria dos ministros do STF, segundo apuração da CNN Brasil, reforçando que a medida não é isolada, mas fruto de consenso interno da Corte diante dos riscos de novas violações de ordem judicial por parte do ex-presidente.
Visitas com emoção e vigilância
Para a família Bolsonaro, a liberação de visitas traz conforto emocional, mas sob vigilância absoluta. O cenário é simbólico: de dentro da residência em Brasília, o ex-presidente acompanha a movimentação política que sua prisão domiciliar provoca, enquanto aliados tentam transformar cada visita em um gesto de apoio público.
Na prática, o momento expõe a fragilidade política de Bolsonaro e reforça o protagonismo de Moraes e do STF em meio à crise. Cada passo do ex-presidente, ou de quem cruza sua porta, continua sob os olhos atentos da Justiça e do país inteiro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação
Reportagem: CNN Brasil