Polícia Penal fará monitoramento em tempo real; PF ainda quer agentes dentro da residência, mas defesa critica “constrangimento”.
A casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, passa a ser vigiada em tempo real por equipes da Polícia Penal do Distrito Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A medida atende a pedidos da PF, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e da própria Procuradoria-Geral da República, e acontece às vésperas do julgamento no qual Bolsonaro é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Na decisão, Moraes determinou que a vigilância seja feita de forma discreta, sem exposição midiática ou constrangimento a vizinhos e familiares, e que os agentes possam atuar armados ou não, a critério da corporação. Além disso, o monitoramento deve ser contínuo, com reforço imediato no entorno da casa e checagens constantes na tornozeleira eletrônica usada por Bolsonaro.
A PF alegou em ofício ao STF que há um “risco concreto” de fuga do ex-presidente. Segundo a corporação, Bolsonaro poderia tentar se abrigar na Embaixada dos Estados Unidos e, em seguida, solicitar asilo político. Moraes também citou como indício a apreensão de um rascunho de pedido de refúgio enviado ao presidente da Argentina, Javier Milei, no qual Bolsonaro pede acolhimento em caráter de urgência.
Apesar da decisão já tomada sobre a área externa, a Polícia Federal insiste em manter agentes dentro da residência, 24 horas por dia, afirmando que a tornozeleira eletrônica não garante total segurança por depender de sinal de telefonia, sujeito a falhas ou interferências. A Procuradoria-Geral da República, porém, considera essa medida desnecessária e defende apenas o policiamento ostensivo no entorno. O impasse foi devolvido por Moraes para uma nova manifestação da PGR.
A defesa de Bolsonaro reagiu de imediato. O advogado Paulo Cunha Bueno classificou a proposta da PF como um “constrangimento desnecessário”, lembrando que a decisão inicial do STF já havia resguardado a privacidade do ex-presidente e de sua família. “Não tem cabimento colocar equipe dentro da casa dele, sendo que o objetivo pode ser alcançado com o monitoramento externo”, disse.
A batalha jurídica em torno da vigilância expõe a crescente tensão no entorno de Bolsonaro. Entre receios de fuga, pedidos de asilo e a proximidade do julgamento no Supremo, cada medida se transforma em disputa política e simbólica. E, no centro desse turbilhão, está um ex-presidente que já não controla os rumos de sua própria rotina, agora vigiada em tempo real.
texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação