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Novo relatório da PF reforça condenação de Bolsonaro, dizem ministros

Documento detalha articulação do ex-presidente e Eduardo para asilo e coação de autoridades.

O novo relatório da Polícia Federal, enviado ao STF nesta quarta-feira (20), reforça a percepção nos bastidores da Corte de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta caminho praticamente certo rumo à condenação pela tentativa de golpe de Estado. O julgamento está marcado para 2 de setembro na Primeira Turma do Supremo, e as informações do documento elevam ainda mais a gravidade do quadro.

O relatório revela que Bolsonaro planejou pedir asilo político à Argentina após ser alvo de operação em fevereiro do ano passado, quando teve seu passaporte apreendido e foi proibido de manter contato com aliados. Para ministros, isso demonstra a intenção do ex-presidente de fugir do país para escapar do avanço das investigações sobre a trama golpista. Além disso, há registros de descumprimento de medidas cautelares, como a comunicação entre Bolsonaro e o general Braga Netto pouco depois da proibição de contato, por meio de número alternativo de celular.

O documento também destaca a atuação coordenada de Bolsonaro e do filho Eduardo nos Estados Unidos, supostamente para pressionar e chantagear instituições brasileiras. A PF aponta que, com apoio do pastor Silas Malafaia, pai e filho teriam orquestrado ações para coagir membros do Judiciário e do Legislativo, condicionando o fim de sanções americanas à aprovação de uma anistia que os beneficiaria.

Um trecho chamou atenção especial dos ministros: “Os investigados praticam, de forma reiterada, atos atentatórios à soberania nacional, visando objetivos pessoais, no caso, atos de coação a autoridades brasileiras com o objetivo de obter situação jurídica de impunidade”, diz o relatório.

O documento será enviado pelo ministro Alexandre de Moraes à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se oferece denúncia. Mas, segundo fontes da Corte, não há dúvida de que o conteúdo será citado no julgamento de setembro, servindo como base para decisões severas. Para esses ministros, o relatório mostra, de forma ainda mais contundente, a gravidade do esquema e a necessidade de responsabilizar os réus do “núcleo 1” de forma firme.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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