Parlamentares pressionam por anistia aos condenados do 8 de Janeiro e projetos contra o STF, enquanto falam em “escalada autoritária”.
O clima em Brasília ficou ainda mais tenso nesta terça-feira (5), um dia após a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em um ato de protesto, parlamentares da oposição ocuparam os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, prometendo travar as votações do Congresso até que suas demandas sejam atendidas.
O grupo exige que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), abram diálogo sobre dois temas que vêm inflamando a base bolsonarista: a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e projetos que visam limitar os poderes do Supremo Tribunal Federal (STF), apelidados de “anti-STF”.
Senadores como Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES), Damares Alves (Republicanos-DF), Jorge Seif (PL-SC), Izalci Lucas (PL-DF) e Jaime Bagattoli (PL-RO) chegaram a sentar-se à mesa da Presidência do Senado em sinal de protesto. “Estamos aqui até que Davi Alcolumbre, que tem ignorado senadores de oposição e independentes há 15 dias, possa agir para devolver a democracia ao Brasil”, escreveu Girão em suas redes sociais, transmitindo ao vivo a ocupação.
Na Câmara, o deputado Sanderson (PL-RS) e a deputada Daniela Reinehr (PL-SC) repetiram o gesto, sentando-se à mesa diretora com fitas brancas na boca. “Só sairemos daqui quando anistia e fim do foro forem votados no plenário”, postou Sanderson.
A prisão de Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes por descumprimento reiterado de medidas cautelares, acendeu o discurso de “escalada autoritária” entre aliados do ex-presidente. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o Brasil vive “oficialmente uma ditadura” e acusou Moraes de “vingança”. A líder da minoria na Câmara, Caroline De Toni (PL-SC), falou em “retaliação incompatível com o Estado Democrático de Direito”. Já o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou que a decisão é fruto de “insegurança jurídica” e “autoritarismo judicial”, que só aprofundam divisões sociais.
O Senado, responsável por processar ministros do STF por crimes de responsabilidade, mantém em sua gaveta quase 30 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Até agora, todos dependem do aval de Alcolumbre para avançar.
A ocupação dos plenários deixa claro que a prisão de Bolsonaro inaugurou uma nova fase de tensão institucional. A oposição aposta no desgaste político para pressionar o Congresso, enquanto o país observa mais um capítulo da crise entre os Poderes.
Texto: Daniela Castelo Branco
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