Medida visa reduzir riscos de burla à tornozeleira e fuga, em meio à proximidade do julgamento do ex-presidente.
A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para que agentes permaneçam dentro da residência de Jair Bolsonaro, em Brasília, garantindo monitoramento contínuo. O pedido gera repercussão por utilizar como precedente o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, conhecido como Lalau, que cumpriu prisão domiciliar em 2004.
Motivo da solicitação e comparação com Lalau
Segundo Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, a presença de agentes dentro da residência tem o objetivo de minimizar riscos de burla à tornozeleira eletrônica e evitar qualquer tentativa de fuga, especialmente considerando a proximidade do julgamento da ação penal que investiga a tentativa de golpe.
O caso citado, ocorrido há 21 anos, envolveu Lalau, condenado por peculato, estelionato e corrupção passiva. Na época, a prisão domiciliar contou com custódia da PF devido a questões de saúde comprovadas. No caso de Bolsonaro, a justificativa não é médica, mas sim logística: a Polícia Federal argumenta que o patrulhamento do condomínio e o controle de entrada e saída de veículos poderiam causar transtornos aos moradores.
Posicionamento da PGR e expectativa para decisão
A Procuradoria-Geral da República deve se manifestar antes da decisão final do ministro Alexandre de Moraes. Fontes próximas a Paulo Gonet indicam que a medida é considerada extrema e desnecessária no momento, especialmente diante do cenário político e econômico delicado do país.
Um olhar sobre a segurança e a justiça
A solicitação da PF reflete a complexidade de garantir segurança e cumprimento da lei em situações que envolvem figuras públicas de alto perfil. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre medidas de precaução e impacto sobre terceiros, neste caso, os moradores do condomínio e o contexto político em que a decisão será tomada.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Uol Notícias