Planalto vê no tema das big techs oportunidade de aliviar pressão do “tarifaço” e avançar em diálogo comercial.
Em meio ao desgaste nas negociações comerciais com os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu apostar em uma pauta que pode mudar o tom da relação com a Casa Branca: a regulação das redes sociais. Mais do que aproveitar o momento político, o movimento é visto por aliados como uma estratégia para abrir uma nova frente de debate com o governo Trump e, assim, tirar do centro das atenções o impasse sobre o tarifaço.
A avaliação no Planalto é de que o embate tarifário acabou sendo contaminado pela polarização política, impulsionada pelo bolsonarismo, o que teria enfraquecido o poder de negociação brasileiro. Prova disso, dizem auxiliares, foi o cancelamento repentino da reunião que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria nesta quarta-feira com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Apesar de sinais de disposição técnica para o diálogo, o componente político pesou mais.
A mudança de foco não significa que Lula esteja deixando o tema comercial de lado. Pelo contrário: o Planalto vê na regulação das big techs uma pauta que, ao mesmo tempo, preserva a imagem do governo no cenário internacional e reforça um tema considerado prioritário desde o início do mandato, embora as tentativas anteriores tenham esbarrado no risco de derrota no Congresso.
Agora, o cenário é mais favorável. A mobilização recente nas redes sociais, puxada pelo influenciador Felca, reacendeu o debate sobre a “adultização” e a exploração da imagem de crianças na internet. O assunto também cria um raro ponto de convergência com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que assumiu protagonismo na articulação para que a proposta avance.
Texto: Daniela Castelo Branco
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