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Relator da CPMI do INSS recusa visita a Bolsonaro para preservar imparcialidade

Deputado Alfredo Gaspar afirma que decisão visa garantir seriedade e transparência nas investigações sobre descontos irregulares.

O relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), anunciou nesta terça-feira (26) que declinou de um convite para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), destacando que a decisão visa preservar a imparcialidade nos trabalhos do colegiado.

Convite antes da relatoria

Gaspar explicou que o convite foi feito pelo advogado de Bolsonaro uma semana antes de sua indicação como relator, e que inicialmente havia aceitado a visita. Após ser designado para a relatoria, o deputado optou por recusar. “Quero dizer que estou declinando desse convite para manter a imparcialidade dos trabalhos, mas que me senti honrado com ele”, afirmou.

Compromisso com a imparcialidade

O parlamentar destacou ter tido “pouquíssimos contatos” com Bolsonaro e disse manter consideração pelo ex-presidente, mas ressaltou que sua atuação será técnica e isenta. “Não conheço Lula e tenho pouco conhecimento com Bolsonaro. Não quero mal nenhum ao governo, mas aqui, no meu relatório, não haverá protegidos nem perseguidos. Estarei aqui para cumprir o rito da investigação”, afirmou.

Estrutura da CPMI

A CPMI foi instalada para investigar um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, revelado em abril por operações da Polícia Federal e da CGU. Na semana passada, a oposição conseguiu eleger o senador Carlos Viana (Podemos-MG) como presidente, contrariando o acordo inicial que indicava Omar Aziz (PSD-AM). Viana indicou Gaspar como relator do colegiado.

Nesta terça, a comissão analisa o plano de trabalho proposto pelo relator, que pretende investigar todos os governos, garantindo previsibilidade e isenção nos procedimentos. “Nosso compromisso é com a verdade para o povo brasileiro, e nosso empenho é com a transparência acima de qualquer interesse”, declarou Viana.

Ao recusar o convite, Gaspar reafirma que o compromisso da CPMI vai além de interesses políticos ou ideológicos: a prioridade é a busca pela verdade e a proteção dos recursos públicos, mostrando que, mesmo em um ambiente carregado de disputas partidárias, é possível conduzir investigações com seriedade e respeito à lei.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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