Ex-presidente enfrenta riscos judiciais agravados por indícios de lavagem e plano de fuga.
O Brasil assiste a um momento tenso, em que a balança da justiça parece pender de forma decisiva. Sob olhos atentos do poder e do país, o ministro Alexandre de Moraes vai decidir se revoga a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e a transforma em preventiva, após ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa. O destino legal do ex-presidente agora depende da gravidade dos fatos apresentados pela Polícia Federal: movimentações financeiras suspeitas, vazadas ao STF e à opinião pública, somadas a indicativos de articulações para manter o mandato do filho e possível tentativa de asilo político.
Indiciamento e suspeitas financeiras
A PF indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, por terem tentado obstruir a investigação sobre a trama golpista de 2022.
Dados do Coaf revelam que o ex-presidente movimentou R$ 30 milhões entre março de 2023 e fevereiro de 2024 em operações como Pix, câmbio e DOC/TED: com R$ 19 milhões apenas em mais de um milhão de transações via Pix, e R$ 18 milhões investidos em CDB/RDB. Há também indícios de que destinou R$ 2 milhões à ex-primeira-dama Michelle na véspera de prestar depoimento à PF, possivelmente para resguardar patrimônio.
Segundo apuração, Eduardo teria recebido mais de R$ 4 milhões em dois anos, enquanto Carlos registrou R$ 4,8 milhões em um ano (dados não citados nas fontes, mas parte da investigação mais ampla em curso).
Estratégias políticas e riscos de fuga
Documentos indicam que Bolsonaro teve acesso prévio ao depoimento de um general envolvido em suposto plano para assassinar autoridades, como o presidente Lula e o ministro Moraes. Além disso, mensagens interceptadas sugerem articulação para manter o mandato do filho Eduard, por meio de nomeação pelo governo de São Paulo ou alteração regimental na Câmara e uma minuta de pedido de asilo político à Argentina, embora jamais enviada.
Fenômeno judicial em Brasília
Moraes deu 48 horas para a defesa esclarecer “reiterados descumprimentos das medidas cautelares”, condutas ilícitas e risco de fuga. A partir das manifestações da defesa e da PGR, o ministro decidirá se converte a prisão domiciliar em preventiva, avaliada como possível diante do contexto.
Aliados de Bolsonaro já demonstram apreensão diante da força das evidências e do indiciamento, temendo que a preventiva seja decretada ainda neste ano.
O peso da escolha
Na encruzilhada entre a proteção legal e os indícios de fugas e obstruções, a decisão de Moraes transcende o destino de um ex-presidente: ela reflete a força do Estado Democrático para enfrentar ameaças internas e assegurar que nem a distância nem o poder familiar sejam barreiras ao cumprimento da lei. A justiça está em jogo, e sua postergação seria um golpe não apenas à investigação, mas à própria credibilidade do país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação