Professor de Direito Constitucional vê risco de “espiral de vingança” e defende inclusão política para preservar a democracia.
O clima de tensão entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado pode ganhar novos capítulos em 2026. A análise é do professor de Direito Constitucional André Marsiglia, que participou do programa WW e alertou para o risco de um cenário de retaliação institucional caso o atual estresse entre os Poderes se intensifique.
Segundo ele, a próxima legislatura pode trazer pressões significativas à Corte, uma vez que cabe ao Senado conduzir eventuais processos de impeachment contra ministros do STF. “Se este ano a gente já vive esse stress entre Poderes, imagina então no ano que vem”, afirmou, destacando sinais preocupantes de instabilidade institucional.
Polarização e risco de espiral de vingança
Para Marsiglia, a tensão entre Legislativo e Judiciário é alimentada por uma percepção de exclusão política de determinados grupos. Ele avalia que impedir a participação de setores relevantes do espectro político cria um ciclo de retaliações que enfraquece a democracia.
“É necessário que a gente, de alguma forma, aceite a possibilidade de que todos façam parte do jogo”, defende. Segundo o professor, ignorar essa premissa pode resultar em uma espiral de vingança institucional, na qual cada Poder tenta reagir ao outro com medidas cada vez mais duras.
O especialista lembra ainda que a politização das instituições é natural em democracias, mas deve ter como objetivo fortalecer o sistema e não eliminar adversários políticos. Sem essa compreensão, o risco é de que o país entre em uma fase de instabilidade crescente, com danos à governabilidade e à confiança da população nas instituições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação
Reportagem: CNN Brasil