Parlamentares respondem por organização criminosa e corrupção passiva em esquema que teria durado cinco anos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu mais um passo em um dos casos mais rumorosos envolvendo o uso irregular de emendas parlamentares. O ministro Cristiano Zanin marcou para a próxima quinta-feira (28) o interrogatório dos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), acusados de integrarem um esquema de desvio de verbas públicas.
Acusação de corrupção e organização criminosa
Os três parlamentares respondem pelos crimes de organização criminosa e corrupção passiva. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo cobrava propina sobre emendas destinadas a municípios, especialmente para a área da saúde. O líder do esquema, de acordo com a denúncia, seria Josimar Maranhãozinho.
Denúncia aceita pelo STF
Em março deste ano, a Primeira Turma do STF aceitou por unanimidade a denúncia apresentada pela PGR, tornando os deputados réus. O interrogatório será conduzido pelo juiz auxiliar de Zanin, Lucas Sales da Costa.
Como funcionava o esquema
As investigações da Polícia Federal apontam que a prática se estendeu por pelo menos cinco anos. Prefeitos maranhenses relataram ter sofrido pressão e ameaças para repassar parte dos recursos destinados a suas cidades.
A denúncia surgiu em 2020, quando o então prefeito de São José do Ribamar (MA), Eudes Sampaio, revelou que havia recebido a cobrança de 25% sobre o valor de emendas parlamentares repassadas ao município.
Esse caso toca em um dos pontos mais sensíveis da política brasileira: o uso das emendas parlamentares, instrumento essencial para os municípios, mas que historicamente tem sido alvo de desvios. O que será revelado no interrogatório desta semana pode não apenas definir o destino desses parlamentares, mas também expor, mais uma vez, as fragilidades de um sistema que deveria servir à população e não aos interesses particulares de quem o manipula.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF