Acidente em Praia Grande, conhecida como a “Capadócia brasileira”, levanta debate sobre segurança no balonismo turístico.
O que era para ser um passeio inesquecível terminou em tragédia no último sábado (21) em Praia Grande, no sul de Santa Catarina. Um balão de turismo pegou fogo no ar e caiu, provocando a morte de oito pessoas e deixando outras 13 feridas.
Segundo o relato do próprio piloto, um dos sobreviventes, o incêndio teria começado por causa de um problema no maçarico auxiliar, usado para acender a chama principal do balão. Diante do descontrole das chamas, ele contou que gritou para que todos pulassem. Treze passageiros conseguiram se lançar para fora antes da queda, incluindo o próprio piloto.
Outro sobrevivente relatou ainda que o extintor de incêndio falhou no momento mais crítico, dificultando o controle das chamas. Com a saída de parte da tripulação, o balão perdeu peso e subiu novamente, levando com ele as oito vítimas que não conseguiram pular a tempo.
Terceiro acidente em menos de uma semana no Brasil
Este é o terceiro acidente envolvendo balões no país em menos de uma semana, o que acendeu um alerta sobre a segurança dessa atividade. Praia Grande, apelidada de “Capadócia brasileira”, é um dos principais destinos turísticos para o balonismo, com cerca de 100 voos diários. Apesar da grande movimentação, episódios como esse são considerados raros na região.
Socorro imediato e luto oficial
Equipes do Corpo de Bombeiros, com cerca de 30 militares, e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram mobilizadas para o resgate. O balão caiu próximo a uma unidade de saúde, o que facilitou o atendimento rápido às vítimas. Nenhuma pessoa em solo foi atingida.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, decretou luto oficial, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas.
Empresa suspende atividades e diz seguir normas
A empresa responsável pelo voo, Sobrevoar Serviços Turísticos, suspendeu as operações após o acidente e informou que cumpre todas as normas de segurança exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo a companhia, este foi o primeiro acidente registrado em sua história.
Investigação aponta para falha no maçarico auxiliar
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as causas do acidente. A principal linha de investigação, até o momento, indica que o problema partiu do maçarico auxiliar. O laudo deve ser concluído em até 30 dias.
Quem são as vítimas
Entre os mortos estão um médico oftalmologista, uma engenheira agrônoma, um patinador artístico, um casal e uma mãe com a filha. As vítimas fatais já identificadas são:
- Andrei Gabriel de Melo, 34 anos (médico oftalmologista)
- Juliane Jacinta Sawicki, 36 anos (engenheira agrônoma)
- Leandro Luzzi, 33 anos (patinador artístico)
- Everaldo da Rocha, 53 anos
- Janaina Moreira Soares da Rocha, 46 anos
- Leane Elizabeth Herrmann, 70 anos
- Leise Herrmann Parizotto, 37 anos
A maioria dos passageiros era de Santa Catarina, com dois turistas vindos do Rio Grande do Sul e um de São Paulo.
Estado de saúde dos sobreviventes
Dos 13 sobreviventes, cinco foram encaminhados ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, sendo dois com queimaduras de segundo grau e os demais com escoriações e dores pelo corpo. Nenhum deles corre risco de vida, e alguns já receberam alta.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN