Estudo indica que imunizante pode treinar o sistema imunológico a atacar tumores e reduzir recidivas.
Um avanço promissor surge na luta contra o câncer. Um estudo publicado na Nature Medicine revelou que uma nova vacina pode ajudar o corpo a se defender de tumores pancreáticos e colorretais, oferecendo esperança a pacientes de alto risco. O imunizante, desenvolvido para estimular o sistema imunológico a reconhecer mutações no gene KRAS, mostrou respostas duradouras e promissoras na fase inicial de testes.
A pesquisa, liderada pelo Health Jonsson Comprehensive Cancer Center da UCLA, acompanhou 25 pacientes: 20 com adenocarcinoma ductal pancreático e 5 com câncer colorretal, que passaram por cirurgia e apresentavam sinais de doença residual mínima. Cada participante recebeu a vacina ELI-002 2P, que transporta os antígenos diretamente para os linfonodos, ativando a resposta imunológica.
Os resultados são animadores: 84% dos pacientes desenvolveram células T específicas para KRAS, e em 24% os biomarcadores do tumor desapareceram completamente. Além disso, aqueles com respostas de células T mais fortes tiveram períodos mais longos sem recidiva, enquanto 67% apresentaram reações imunológicas contra outras mutações associadas a tumores, mostrando potencial de ação mais ampla.
Segundo Zev Wainberg, primeiro autor do estudo, “os pacientes que desenvolveram fortes respostas imunológicas permaneceram livres da doença e sobreviveram por muito mais tempo do que o esperado”. Ele ressalta que o KRAS é um dos alvos mais desafiadores na oncologia, e que a vacina ELI-002 2P oferece uma abordagem segura e eficaz, sem a complexidade das vacinas personalizadas.
Agora, os pesquisadores planejam avançar para a fase 2 do estudo, com mais pacientes, na esperança de consolidar os resultados e abrir caminho para um novo aliado na prevenção e combate de tumores de alto risco.
O estudo reforça a possibilidade de que a ciência esteja cada vez mais perto de ensinar o próprio corpo a se proteger contra o câncer: um passo que, se confirmado em fases maiores, pode transformar radicalmente o tratamento e a prevenção da doença.
Texto: Daniela Castelo Branco
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